
Estava me locomovendo pelas ruas do centro através de um meio de transporte comum, o qual todos podemos ter acesso e tentei dissertar sobre as características de um país emergente. Sua característica conspícua seria o processo de favelização intensa que advém de uma industrialização tardia. Não que em países de grande estabilidade esse processo natural de favelização não ocorra, na realidade, ocorre sim, mas de uma maneira não tão intensa. Dando prosseguimento, o que me chamou atenção nesses acontecimentos seria a ausência da produção de um sentimento que gera mudança, a forma de como os habitantes aceitam essa situação e se condicionam a uma vida de eterna miséria; Não seria tão assustador que essas pessoas não se comovam com seu próprio estilo de vida, mas o assustador se encontra na forma de como submetem também a vida de seus filhos. Enfim, desencadeiam um aumento no índice de mortalidade infantil entre outras coisas que somos obrigados a assistir todos os dias.
Gostamos de identificar erros e culpar algo ou alguém pelo que está ocorrendo, assim como apontam o governo como o foco principal dessa deficiência. Parcialmente essa culpa se fragmenta, seria a origem de todo o mal o patrimonialismo, personalismo e autoritarismo que implantamos em nossa nação ou também os habitantes que se condicionam a esse estilo de vida não são tão puros quanto parecem?
Enquanto eu me fascinava com os deslumbres dos edifícios das áreas nobres, aquelas construções feitas com esmero que infelizmente formavam um “paradoxo” devido a casas que rodeavam esses belíssimos palácios. Essas casas que mais pareciam ruínas, que perderam suas cores e identidades, pois as desigualdades as tornaram em sucatas, estas sucatas que todos pareciam ignorar. Sim, os habitantes requintados faziam questão de ignorar os problemas da sociedade, pois não os afetavam. Não era difícil perfilar os poucos favorecidos daqueles com grande poder aquisitivo. Estes não apresentavam uma suntuosidade exorbitante como costumamos imaginar, aparentemente eram crédulos, mas isso eu sabia perfeitamente que não eram. A forma angelical de se mover e o esboço dos sorrisos imaturos em lábios leves e delicados, com tez ofuscante e os melhores tratamentos capilares, era isso o que eu via. Suas vestes eram simples e eles pareciam não se incomodar com tendências que regem o mundo da moda. De uma forma cômica, esses dominadores de capitais passeavam de maneira lívida e relaxada. Alguns levando seus animais para passearem, animais estes que recebem do melhor tratamento, isso também poderia se notar com facilidade.
Já as infelizes, essas realmente possuíam semblantes assustadores, a miséria realmente assusta. Seus olhares profundos, perdidos, cansados...Porém, não se poderia encontrar nenhuma credulidade. Seus trajes também eram simples, mas eram sujos, estavam sempre com pressa e vagando sem rumo entre as construções antigas, alguns estavam com os pés nus e com uma coloração de dar asco, seus cabelos formavam emaranhados e não possuíam vitalidade alguma. Temi passar pelos rastros que deixavam ao se locomoverem, pois nunca havia visto rostos tão lúgubres e tive medo de me influenciar.
Em sumo, é isso que se pode observar. Essa acentuação das diferenças. É quando me pergunto se essa discriminação terá um fim, se é apenas uma fase ou se ao menos esse desleixo dos desfavorecidos irá acabar e eles despertarão para a busca de melhorar a condição de vida que se submeteram. Porque de certa forma, você é o que tem, essa é a realidade.
Nossaa!
ResponderExcluir